Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Saúde Masculina

Dr. Alexandre Hohl
Comissão de Novas Lideranças

Embora a saúde da mulher, nas suas especificidades, tenha sido objeto de atenção desde os anos 70 do século XX, ações mais abrangentes em relação à saúde masculina, além dos cuidados com a próstata e o câncer de testículo, só se tornaram mais consistentes no século XXI. Isso apesar das evidências mostrarem que os homens morrem mais do que as mulheres em todas as faixas etárias, inclusive antes do nascimento, pois a maioria dos abortos espontâneos de fetos sem malformações é do sexo masculino.  A edição especial de Andrologia dos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia de novembro de 2009 abrange vários pontos da saúde masculina (http://www.abem-sbem.org.br/arquivo/ed/53/8/).

Com a chegada da sildenafila (o primeiro inibidor da fosfodiesterase-5 – PDE-5) em 1998, o tratamento da disfunção erétil (DE) tomou proporções nunca antes imaginadas. Porém, mesmo com a introdução de outras drogas do mesmo grupo, como a tadalafina e a vardenafila, uma parte dos pacientes não responde ao tratamento oral da DE. Estima-se que em 2025 mais de 320 milhões de homens apresentarão DE. Os dois artigos do Annals of Internal Medicine da edição de novembro deste ano apresentam uma revisão do assunto e propõe um guideline clínico para o diagnóstico e tratamento da DE.

Tsertsvadze e colaboradores revisaram os diversos estudos com drogas que tratam a DE. Estudos de curta duração (≤ 12 semanas) confirmam a eficácia dos inibidores de PDE-5 quando comparados com placebo no tratamento da DE, sem apresentarem grandes efeitos colaterais. Não houve diferença na análise de comparação entre a eficácia da sildenafila, tadalafila e vardenafila. Os resultados do uso de reposição hormonal masculina no tratamento da DE foram inconsistentes. Além disso, não houve dados suficientes para afirmar que homens com DE tenham uma maior prevalência de hipogonadismo do que homens sem DE.

Qaseem e colaboradores elaboraram um guideline para a utilização de dosagens hormonais e tratamento de homens com DE. Recomenda-se que todo homem com DE, independente da causa (como diabetes mellitus, depressão ou câncer de próstata) utilize inibidor de PDE-5, desde que não apresente contra-indicações (como uso de nitratos). Entre os critérios para a escolha do inibidor da PDE-5, deve-se levar em consideração a facilidade de uso, o custo e os efeitos adversos. Com relação às dosagens de testosterona em homens com DE, o consenso deixa a critério de cada médico, visto que os dados atuais são inconclusivos.

É certo que após a quebra da patente da sildenafila prevista para 2010, o acesso a este grupo de medicamentos será estendido a um maior número de pacientes com DE, principalmente entre os diabéticos que freqüentam diariamente o consultório dos endocrinologistas.

Hormonal Testing and Pharmacologic Treatment of Erectile Dysfunction: A Clinical Practice Guideline From the American College of Physicians. Ann Intern Med November 3, 2009 151:639-649.

Amir Qaseem, Vincenza Snow, Thomas D. Denberg, Donald E. Casey, Jr., Mary Ann Forciea, Douglas K. Owens, Paul Shekelle, and for the Clinical Efficacy Assessment Subcommittee of the American College of Physicians

Oral Phosphodiesterase-5 Inhibitors and Hormonal Treatments for Erectile Dysfunction: A Systematic Review and Meta-analysis. Ann Intern Med November 3, 2009 151:650-661.

Alexander Tsertsvadze, Howard A. Fink, Fatemeh Yazdi, Roderick MacDonald, Anthony J. Bella, Mohammed T. Ansari, Chantelle Garritty, Karla Soares-Weiser, Raymond Daniel, Margaret Sampson, Steven Fox, David Moher, and Timothy J. Wilt

Saúde Masculina: tão neglicenciada pelos homens -  Editorial da Edição Especial “Andrologia” – Arq Bras Endocrinol Metabol Novembro de 2009 -Volume 53 – Número 8, p. 899-900.
Ricardo M. R. Meirelles & Alexandre Hohl


Posted by admin on fevereiro 2nd, 2010 :: Arquivado em Andrologia, Uncategorized

Infusão intra-peritonial de insulina proporciona melhor controle que a infusão subcutânea no diabetes tipo 1 – estudo controlado e randomizado.

Suzan J. Logtenberg et al. – Diabetes Care – Agosto, 2009.

Tradução e comentário:
Dr. André G. Daher Vianna
Centro de Diabetes Curitiba
Comissão de Valorização de Novas Lideranças

A infusão contínua intra-peritonial de insulina (CIPII) com uma bomba implantável tem sido avaliada nos últimos 25 anos. Suas características farmacodinâmicas fazem com que a CIPII possa ser uma alternativa viável para melhorar o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 1.

O presente estudo aberto, prospectivo, randomizado, crossover, com duração de 16 meses, comparou os efeitos da CIPII versus insulina subcutânea contínua em 24 pacientes. O desfecho primário foi a incidência de hipoglicemia. Os desfechos secundários foram os valores de A1C e o perfil glicêmico, incluindo o tempo em euglicemia medido por monitorização contínua de glicose (CGM).

A incidência de eventos hipoglicêmicos leves (grau 1) foi de 4,0±2,6 por semana com a insulina subcutânea e de 3,5±2,3 por semana com a CIPII ( P=0,13). A diferença média absoluta na A1C com a CIPII comparado com o tratamento subcutâneo foi de -0,76% (95% CI −1.41 to −0.11) (P = 0.03). O tempo em euglicemia foi de 45,2±12,6% e foi 10,9% maior em valor absoluto com a CIPII em comparação com o tratamento subcutâneo (P=0,003). Não houve diferença em relação a eventos hipoglicêmicos severos, quantidade de insulina e IMC. Nenhum caso de mau funcionamento da bomba ou do cateter foi observado durante o estudo.

Podemos concluir que a CIPII é uma via eficaz e segura. Apesar de não reduzir a incidência de eventos hipoglicêmicos, a CIPII proporciona um melhor controle da glicemia. Em16 meses de estudo, observou-se aproximadamente 0,8% de queda na A1C e aumento absoluto de 11% no tempo em euglicemia.


Posted by admin on agosto 25th, 2009 :: Arquivado em Diabetes
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Comentário JCEM 2008: Hiperaldosteronismo Primário

imagem_blogO artigo publicado no JCEM 2008 fornece uma ampla atualização e direcionamento clínico a cerca do tema Hiperaldosteronismo Primário (HP) dando ênfase para a importância do reconhecimento e caracterização dos grupos específicos de risco (hipertensos resistentes, hipertensos estágio 2 e 3 pelo critério do  Sixth Joint National Commission, hipertensos com incidentalomas, AVC em jovens).

No diagnóstico foram ressaltados a relação aldosterona / renina, a utilidade e o protocolo dos quatro testes confirmatórios, a importância do cateterismo de veias adrenais e as drogas que potencialmente interferem nas dosagens hormonais. Estas questões foram avaliadas e discutidas uma a uma, baseadas nas evidencias científicas disponíveis.

Para as recomendações terapêuticas, foram levadas em consideração as diferentes etiologias do HP (adenoma, hiperplasia unilateral, hiperplasia bilateral e aldosteronismo remediável por glicocorticóides-GRA) e a existência de indicação cirúrgica ou não.

Resumo das recomendações:

1 - Pacientes com relação aldosterona/ renina positiva deverão ter o diagnóstico confirmado através da realização de um dos quatro testes abaixo:

  • Sobrecarga oral de sódio
  • SIT teste
  • Teste com fludrocortisona
  • Teste com captopril

2 – Todos os pacientes com confirmação diagnóstica hormonal de HP devem realizar tomografia abdominal de adrenais para excluir a presença de câncer adrenocortical.

3- A distinção entre doença unilateral (adenoma) ou bilateral (hiperaldosteronismo idiopático ou hiperplasia adrenal bilateral) deverá ser feita por cateterismo de veias adrenais (CVA), quando da existência de um radiologista intervencionista experiente. A dosagem de cortisol na veia adrenal e na periferia (3:1) se faz necessário para confirmar a cateterização adequada.

4 - Quando o CVA não for possível:

  • Repetir o procedimento
  • Tratar o paciente com antagonista do receptor de mineralocorticóide (ARM)
  • Considerar cirurgia baseado nos achados de exames de imagem
  • Estudos adicionais poderão ser utilizados na distinção entre a doença nodular e a hiperplasia adrenal utilizando-se: teste da postura, cintilografia com iodocolesterol, 18- hidroxicorticosterona sérica.

5 – Recomenda-se cirurgia laparoscópica para retirada de adenoma unilateral documentado através de CVA.

6 – Paciente sem condições cirúrgicas e/ou com recusa ao procedimento, utilizar antagonista do receptor de mineralocorticóide (ARM).

7 - Na presença de doença bilateral a recomendação é a utilização de ARM, espironolactona como 1o agente e eplerone (Inspra®) como alternativa.

8 - Nos casos de GRA, baixas doses de glicocorticoides levam a normalização da pressão arterial e das concentrações plasmáticas de K +.   Recomenda-se utilizar glicocorticoide de longa ação, dexametasona ou prednisona, visando a supressão do ACTH.

9 - Para a coleta e interpretação correta da relação aldosterona/renina deverão ser utilizadas medicações que apresentam mínimo efeito nas concentrações plasmáticas da aldosterona. As opções serão: hidralazina, verapamil SR, prazosina, doxazosina e o  terazosina.

10 – Pacientes com HP confirmado antes dos 20 anos, com história familiar positiva ou história de AVC <40 anos deverão realizar teste genético devido a possibilidade de GRA.

Boa Leitura!

Ana Rosa Quidute
Comissão de Valorização de Novas Lideranças
Departamento de Adrenal/ SBEM


Posted by admin on julho 27th, 2009 :: Arquivado em Hiperaldosteronismo
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