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Blog da SBEM
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Global Guideline on Pregnancy and Diabetes

Esse guideline, publicado pela IDF – Federação Internacional de Diabetes –, busca preencher uma lacuna deixada pelo guideline da IDF de 2005. Naquele documento havia uma seção para gravidez, mas não considerava DM1 e aspectos mais abrangentes do DMG. Portanto este novo guideline aborda tais tópicos e áreas controversas. O Documento foi elaborado por um grupo de pesquisadosres internacionais, entre eles a Dra. Maria Inês Schmidt. Os principais pontos:

Diabetes Mellitus Gestacional

Definição – persiste a definição da ADA “… qualquer grau de intolerância à glicose com início ou primeiramente reconhecida na gestação, mesmo se a condição persistir após a gravidez”. A definição ideal deveria levar em conta 03 elementos de risco: morbidade /mortalidade perinatal na gestação atual, risco da mãe desenvolver DM2 e o risco do ambiente intra-uterino (programming) influenciar a expressão de doenças na vida adulta.

Diagnóstico – Atualmente ainda há falta de consenso internacional sobre o assunto. Na maior parte do mundo o diagnóstico pode ser feito através do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) de 3h com 100g de glicose (EUA) ou através de TOTG de 2h com 75g de glicose como preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Racional para o tratamento – DMG está associado a aumento de desfechos adversos na gestação. O tratamento do DMG, mesmo casos leves, reduz o risco desses desfechos. Estudos observacionais sugerem fortemente que qualquer gestação complicada por hiperglicemia confere um risco aumentado na prole de desenvolver DM 2 e o controle glicêmico materno parece reduzir este risco.

Medidas antes da Gestação

Aspectos Gerais

  • 30-50% das mulheres que tiveram DMG desenvolverão DMG em gestação subseqüente;
  • Toda mulher com DMG deve ter seu status glicêmico avaliado no pós parto;
  • Se passado 01 ano do pós parto, um TOTG  deverá ser realizado antes da nova concepção ou ainda no primeiro trimestre;
  • Uma vez o TOTG normal no início da gestação, o mesmo deverá ser repetido entre 26 e 28 semanas, ou mais cedo, se clinicamente indicado (glicosúria, aumento líquido amniótico ou do tamanho fetal, etc).
  • IECA, BRA, bloqueadores de canais de cálcio e drogas hipolipemiantes são contra-indicadas na gestação. A necessidade de interrupção das drogas anti-proteinúricas na gestação deve ser considerada no aconselhamento pré gestacional.
  • A suplementação adequada de ácido fólico é aconselhada para pacientes diabéticas, assim como para população em geral.

Controle Glicêmico Pré-Gestacional

  • Abortamento precoce e malformações fetais estão associados diretamente ao aumento nos níveis de Hb glicadaA1c pré-concepção.
  • Desconhece-se o nível de controle glicêmico cujo risco não seria aumentado.
  • A busca pela melhora do controle glicêmico pré concepção deve ser sempre incentivada e preconiza-se “arbitrariamente” níveis de Hb glicadaA1c< 6,5 (ou < 7,0 se em uso de insulina); algumas sociedades preconizam níveis ainda mais baixos tendo em vista que Hb glicadaA1c< 6,5 estaria associada a uma média da glicemia de jejum<117 mg/dl e glicemia pós prandial <153 mg/dl.
  • Mulheres com Hb glicadaA1c >8,0 devem ser desencorajadas a engravidar até melhora do controle glicêmico ser obtida.

Durante a Gestação

  • Não há consenso a respeito do screening universal ou não.
  • Fatores de risco maiores para DMG são: idade materna elevada, aumento de peso, DMG prévio ou feto macrossômico, história familiar de DM em parentes de primeiro grau e grupos étnicos com elevada prevalência de DM.
  • Para mulheres que perderam o aconselhamento pré-concepção, solicitar Hb glicadaA1c o mais rápido e oferecer avaliação de riscos baseada nestes resultados.
  • A monitorização glicêmica deve ser incentivada e realizada em antes e pós-prandiais. Decisões de tratamento baseadas nos níveis glicêmicos pós-prandiais parecem resultar em menores complicações, particularmente macrossomia.
  • Monitorização glicêmica 1h após refeição, ao invés de 2h, parece resultar em melhores desfechos obstétricos, além de aumentar a aderência à realização dos testes.
  • Os alvos das monitorizações pré e pós prandiais devem ser os mais baixos, desde que a paciente se sinta confortável e segura. Estimula-se, arbitrariamente, glicemias capilares de jejum entre 90 a 99 mg/dl, 1h após < 140 mg/dl e 2h após < 120 mg/dl.
  • Medida da Hb glicadaA1c nas mulheres com DMG só deve ser encorajada quando houver dúvida se havia diabetes antes da concepção.
  • Caso os níveis alvos do controle glicêmico não sejam obtidos dentro de 1 a 2 semanas após início de medidas higieno-dietéticas, considerar terapia medicamentosa.
  • Fazer os ajustes na terapia de acordo com a monitorização glicêmica domiciliar.

Dieta

  • Aconselhamento nutricional deve ser individualizado e culturalmente sensível, objetivando alimentos  de menor índice glicêmico.

Exercícios

  • A prática regular de exercícios parece ser útil para prevenir DMG e melhorar a sensibilidade insulínica. Entretanto, há falta de evidência quanto ao tipo, freqüência e intensidade da atividade física durante a gestação diabética.

Uso de insulina

  • A insulina permanece como terapia medicamentosa padrão para o tratamento do DM na gestação.
  • Análogos de curta ação (lispro e aspart) têm sido utilizados em DMG e DM1 e seu uso vem sendo alvo de revisão sistemática. Não há dados da glulisina na gestação.
  • Há experiência limitada com análogo de longa ação (glargina); dados mais escassos com a detemir, apesar de um Trial estar sendo conduzido com este fim.
  • A decisão sobre o tipo de insulina e o regime a ser começado deve ser feita após discussão informada, pesando-se risco x benefício quanto ao uso de análogos mais novos X preferência do paciente, controle glicêmico e estabilidade.

Agentes Orais

Metformina e Glibenclamida

  • Há adequada evidência para considerar o uso de metformina e glibenclamida como opções do tratamento do DM na gestação. Entretanto, como são drogas que ainda não foram liberadas para esta indicação, a mulher deve estar ciente dos possíveis riscos. Há extensa experiência na literatura com uso da metformina que, apesar de atravessar a placenta, não parece possuir propriedades teratogênicas.
  • Combinações de terapias não têm sido especificamente estudadas.

Pós Gestacional

Pós parto

Modificação no regime de insulina (redução) é necessário no pós-parto. Para mulheres com DMG a interrupção da terapia hipoglicemiante é aconselhável. Monitorização glicêmica deve ser continuada.

Amamentação

  • Deve ser incentivada. Contudo, pode influenciar no controle glicêmico materno e o DM pode alterar a composição do leite materno. Mulheres com DM1 podem ter reduzida a necessidade de insulina durante a lactação.
  • Metformina tem transferência mínima (<0,4%) para o leite.
  • Há risco indefinido se as sulfoniluréias podem causar hipoglicemia no recém-nascido, entretanto a glibenclamida parece ser segura.
  • Enalapril parece ser seguro na lactação, enquanto outros IECAs devem ser evitados.

Seguimento do DMG

  • Toda mulher com DMG deve realizar TOTG por volta da sexta semana de pós parto.
  • Se desejar engravidar outra vez, deve realizar novo TOTG o mais precocemente possível antes da gestação ou ainda no primeiro trimestre.
  • Caso não queira mais gestar, é necessário analisar os fatores de risco para DM2. Se presentes, o TOTG deve ser anual. Se considerada de baixo risco, deve realizar glicemia de jejum a cada 2 anos e, TOTG se glicemia de jejum > 100 mg/dl.

Posted by admin on março 4th, 2010 :: Arquivado em Diabetes,Gestação
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Uma resposta para “Global Guideline on Pregnancy and Diabetes”

  1. Dra. Andréa Vangelotti
    março 18th, 2010

    Esse guideline está bem redigido mas, discordo na adoção das metas de glicemia em jejum e pré-refeições na gestante pois, como bem sabemos, deve ser menor do q na mulher não grávida. Logo, adoto os valores de 85-90mg/dl e utilizo o parâmetro de 1hpp <140mg/dl. Com isso, consigo valores de HbA1C e Frutosamina o mais próximo da normalidade. Cordialmente, Dra. Andréa

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